sábado, 5 de maio de 2012

DuSK of the Gods


17 de Dezembro de 2009, Quinta-Feira. Tóquio, Japão.

Colégio Hikoboshi, um dos mais renomados colégios privados de Tóquio. Suas mensalidades são caras e suas bolsas são extremamente difíceis de adquirir. Como em qualquer instituição de ensino médio, ao fim de tarde, seus corredores estão repletos de alunos em rumo para suas casas.

                - Hoshiko-san!

A voz era abafada pela conversa entre os outros alunos. Quem havia gritado fora Akira Hikari, uma garota que está no terceiro ano. Há dois anos mudou-se para Tóquio para completar seu ensino médio. Sua aparência era incomum, se destacava dos demais alunos, longos cabelos vermelhos e olhos brilhantes.

                - Hoshiko-san! – Exclamou novamente.

Estava tentando chamar a atenção de Orimoto Hoshiko, a garota na qual divide apartamento. Ela é sempre séria e nunca fala sobre sua vida. É alta, dotada de longos cabelos castanhos e olhos verdes. Aparentemente não ouviu os chamados de Hikari, ou apenas os ignorou.

                - Novamente... – Suspirou Hikari decepcionada.

DuSK of the Gods – Capítulo 01 – Inverno


17 de Dezembro de 2009, Quinta-Feira, Monte Atos, Grécia.

O cenário é uma enorme fortaleza rente ao mar. É praticamente toda fechada, com poucas portas e janelas. Seu interior é semelhante aos melhores centros de inteligência. Em uma das salas está localizando um homem completamente uniformizado com uma farda branca. Longos cabelos prateados, não eram grisalhos, pelo contrário, eram como os de um jovem. Estranhamente, carregava uma venda consigo que cobria os dois olhos. Na mesma sala estavam soldados operando computadores.

                - Centésimo oitavo sumo sacerdote, Oberon de Avalon. – Uma voz ecoou pela sala praticamente vazia. – Eu, Tryphon Aspida, me apresento.

Um jovem, por volta de seus vinte e cinco anos, se ajoelha em frente ao homem. Tryphon Aspida era um dos mais renomados Priests daquela organização. Sua pele era escurecida pelo mediterrâneo, olhos e cabelos castanhos. Estava fardado de forma semelhante ao senhor.

                - Você será redirecionado para uma nova missão, Aspida. – Respondeu o homem.

Este homem era Oberon de Avalon, aparenta ser jovem, mas sua idade supera os oitenta anos. Assumiu a organização há alguns meses após a saída do último sumo sacerdote.

Tryphon levantou-se.

                - Quais são os detalhes? – Perguntou o jovem.

                - Terrorista número 2006-34, alcunha “Souka”, nacionalidade japonesa. Está ativo há três anos. Neste intervalo de tempo realizou ataques na Holanda e França, além dos ataques na própria terra natal. Já foi preso uma vez em julho de 2007, mas conseguiu escapar. – Explicou Oberon.

O sacerdote lançava pastas e papéis sobre a mesa, os mesmos eram pegos pelo jovem.

                - Dentro destas pastas estão as vítimas confirmadas e ataques que acreditamos ser do mesmo. Há rumores que ele está em Tóquio. Seu avião sai em alguns minutos. – Acrescentou.

                - Sim senhor. – Apenas bateu continência e retirou-se da sala.

Oberon permaneceu estático, apenas ouvindo os passos de seu subordinado retirando-se.

Nos corredores da enorme fortaleza, um garoto de aproximadamente dezoito anos se direciona para a mesma sala de onde Tryphon acabara de sair. Longos cabelos e olhos negros, face jovial, também estava fardado. Os dois se encontram.

                - Sir Aspida... – Espantou-se com a presença dele. Em seguida, bateu continência.

                - Isto não é preciso, Songe. – Respondeu. – Soube que você foi elevado a general durante minha ausência. Agora somos iguais.

                - De forma alguma, Sir Aspida. – Respondeu o garoto. – Por mais que nossas patentes sejam as mesmas, minha experiência não é comparável a tua.

O garoto demonstrava grande respeito por Tryphon. Ambos haviam crescido juntos naquele lugar.

                - Sir Oberon te mandou em uma missão?

                - Sim, estou partindo imediatamente. – Respondeu Tryphon. – Esta deve ser rápida, irei voltar assim que terminar.

                - Assim espero. – Respondeu o garoto, adentrando na sala do sumo sacerdote.

Tryphon olhou para trás onde viu a porta se fechando. Suspirou e continuou andando em direção ao avião.


19 de Dezembro de 2009, Sexta-Feira, Tóquio, Japão.

Hikari acorda as sete da manhã, como todos os dias, se levanta e observa que Hoshiko já partira.

                - Todo dia ela volta para casa depois de eu dormir e sai antes de eu acordar... – Hikari pensa alto.

Ainda assim, Hoshiko saia deixando a casa impecável, deixava a louça lavada e o chão limpo.

No início de 2010, completa um ano que as duas moram juntas, mas nenhuma sabe nada da outra. Nunca conversaram, e Hoshiko sempre tem o hábito de retornar tarde e se retirar bem cedo. Na escola ainda as duas estudavam em salas diferentes.

Hikari vestiu seu uniforme escolar e colocou um sobretudo por cima por causa da época do ano. Saiu de casa.

As ruas estavam vazias, nelas estavam apenas os que iam para a escola ou para o trabalho.


19 de Dezembro de 2009, Sexta-Feira, Aeroporto Internacional de Tóquio, Japão.

Um jato particular acaba de pousar na pista. Aparentemente em uma zona reservada daquele aeroporto. Ali desce apenas um homem, Tryphon, trajado com um terno negro e segurando uma maleta em seu braço direito, contendo as pastas que Oberon o entregara.

Outro jovem o esperava do outro lado da pista. Cabelos negros até o ombro e olhos mongólicos, também usava um terno. Parece ser mais novo que Tryphon. Os dois se aproximaram.

                - Você deve ser Tryphon Aspida, da sede européia, creio eu. – Supôs.

                - Sim, o sumo sacerdote que informou que eu receberia um guia. – Disse Tryphon. – Poderia saber seu nome?

                - Claro senhor Aspida. Eu sou Akimori Hayate, membro honorário do setor asiático dos Night Knights. – Apresentou-se com respeito.

                - Estou agradecido, Akimori. Sua ajuda será necessária. – Tryphon agradeceu.

                - Agora nós temos que pegar um carro. Ele nos levará até o local do último incidente com o terrorista 2006-34. – Respondeu Hayate.

Os dois se moveram até o interior do aeroporto.


Colégio Hikoboshi, fim de tarde do mesmo dia.

Hikari desta vez não tentou gritar o nome de sua colega de quarto, desta vez está a seguindo com o intuito de descobrir onde a mesma passa a noite.

O céu ainda está laranja pelo por do Sol. Hoshiko está sentada em um ponto de ônibus, enquanto Hikari está atrás de uma construção a observando.

                - Para onde ela está indo... – Pensava.

Outras pessoas que passavam pela mesma rua estranhavam a figura de Hikari espreitando por Hoshiko.

A garota entrou em um ônibus. Hikari anotou seu número e esperou que o mesmo saísse do ponto para sair de seu esconderijo. Tirou seu celular de sua pasta, e com ele pesquisou o caminho daquele ônibus.

Aquela linha passava de trinta e trinta minutos, seu destino era sempre o mesmo, uma praça nos arredores daquele bairro.

                - Trinta minutos... – Disse Hikari ao olhar para a tela de seu celular. – Acho que eu terei que esperar.

A garota sentou-se no ponto a espera do próximo.

Enquanto isso, no interior do ônibus, Hoshiko era observado por um homem estranho. Estava vestido com roupas velhas e rasgadas, como as de um mendigo, um enorme casaco cobria a maior parte de seu corpo. Calçava tênis velhos e usava um boné para cobrir o rosto.

Todos o observavam com olhares tornos, Hoshiko apenas olhava fixamente para a janela, nem havia notado a presença do mesmo.

Trinta minutos após, o ônibus finalmente chegou até Hikari.

                - Finalmente! – Exclamou a garota.

Ela rapidamente entrou no ônibus e se sentou em um dos assentos. Assim como Hoshiko, sua reação foi ficar a observar as janelas.

Por causa do inverno, as janelas se embaçavam rápido. O frio fazia com que as pessoas nas ruas parecerem mais elegantes. Propagandas e luzes natalinas por toda parte. Promoções em lojas e pinheiros brilhantes estampavam as vitrines das lojas daquele bairro.

Alguns flocos de neve começavam a cair, em alguns minutos começaram a enfeitar o cenário. Hikari tão deslumbrada com a visão que perdeu a noção do tempo. Em tão poucos minutos, já havia chegado ao parque.

A mesma se prepara para descer do ônibus.

                - Não é perigoso para uma jovem vir para cá esta hora? – Perguntou o Motorista.

Hikari nem havia se tocado nas horas, já eram sete horas da noite.

                - Não se preocupe com isso. – Disse com um sorriso na cara, desceu.

O ônibus arrancou novamente em direção à cidade. Não havia muito barulho naquele bairro, apenas o som de alguns pássaros. Hikari o adentrou em busca de sua companheira, até que a encontrou.

Hoshiko estava em uma espécie mirante, acima de algumas escadarias, apoiada sobre defensas metálicas mirando através de um telescópio as estrelas.

                - Hoshiko-san! – Gritou Hikari.

Naquele silêncio finalmente conseguia chamar a atenção de sua “amiga”. Hikari estava ofegante por ter subido tantas escadas rápido. Hoshiko se assustou com sua presença lá.

                - ... Hikari? O que faz aqui? – Perguntou.

Aquele era um dos poucos momentos que Hikari ouviu a voz de Hoshiko, mesmo as duas morando juntas.

                - Então é isso que você faz toda noite? – Perguntou Hikari. – Parece interessante...

                - Bem... É... Eu venho aqui toda noite observar as estrelas. – Respondeu Hoshiko, um pouco tímida ainda.

Hikari se aproximava do telescópio, começou a olhar por ele, mudou algumas configurações na lente.

                - Nã... – Hoshiko obviamente queria que a mesma parasse, mas não conseguia.

                - Que legal... – Disse Hikari. – Por que você nunca me chamou para vir aqui? 

Hoshiko era tímida demais para responder coisas deste tipo.

Passos eram ouvidos naquele lugar. Era algo raro, uma vez que apenas Hoshiko passava a noite naquela parte do parque.

O homem que observava Hoshiko no ônibus se aproximava das duas garotas. Hikari não percebia, ainda estava olhando o céu pelo telescópio.

                - Lampades... – sussurrou o homem. Chamas negras apareciam em sua mão direita, no final ele estava segurando uma enorme espada de dois gumes, aproximadamente de um metro e vinte centímetros de comprimento.

                - Um... Priest? – Perguntou mentalmente Hoshiko.

Com um movimento de sua espada, o homem lançou chamas negras na direção das duas estudantes. Hoshiko em um movimento rápido agarra Hikari pelo braço e junto da mesma se arremessam pela lateral.

                - Argh... Porque você fez isso? – Perguntou.

Novamente chamas negras foram lançadas, com outro movimento rápido Hoshiko desviou, levando consigo Hikari.

                - O que foi isso?! – A outra assustou com a chama que acabou de ser lançado contra ela.

O Homem desceu pelo mesmo gramado que as duas, até chegar no mesmo local.

                - Herr Josephine estava certa, se eu seguisse uma, as duas estariam juntas. – O mesmo retirou seu boné, revelando um cabelo bastante desarrumado, além de uma barba mal feita. Ele aponta sua espada para Hoshiko. – Eu sei que você é uma Priest, não adianta esconder.

Ela levantou-se e mostrava uma expressão de raiva em seu rosto.

                - Hoshiko-san... – Hikari estranhava aquilo, principalmente pelo fato de nunca ter visto a colega demonstrando emoções tão fortemente.

                - Eu realmente não queria perder tudo o que conquistei aqui desta forma... – Pensou Hoshiko.

                - Ande logo porque se não terei que matar a sua amiga aí... – O homem apontou sua espada para Hikari.

                - Altair! – Hoshiko gritou. Sua mão direita brilhava intensamente com uma luz esmeralda.

Hikari se espantou com o que viu. A partir daquela luz Hoshiko criara um Katana e velozmente deferiu um ataque físico contra o homem, que defendia com sua própria espada.

                - Finalmente se mostrou Priest. – Disse o homem. – Mas isso não é o suficiente!

Com um movimento de sua espada ele arremessou Hoshiko contra o chão.

                - Hoshiko! – Gritou preocupada.

                - Se não se levantar em cinco segundos, eu matarei ela. – O homem novamente alvejava Hikari.

Hoshiko mostrou mais raiva do que antes, levantou e tentou novamente um golpe. Mas novamente foi derrubada.

                - Cinco... Quatro... Três... – O homem começava a contar.

Hoshiko novamente tentava repetir o ataque, mas sempre era derrubada pelo homem.

                - Desta forma você não pode salvar sua amiga... – Disse o homem, se agachando perto de Hoshiko e a levantando pelos cabelos.

                - Seu... – A voz já estava fraca por causa da dor.

O homem a arremessou novamente.

              - Meu trabalho na verdade é cuidar de você. – Disse o homem ao se levantar, começou a andar na direção de Hikari.

A garota tenta correr para trás, mas não consegue desviar o olhar por causa do medo.

                - Lampades. – O homem brande sua enorme espada gerando uma coluna de chamas contra Hikari.

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