17 de Dezembro
de 2009, Quinta-Feira. Tóquio, Japão.
Colégio
Hikoboshi, um dos mais renomados colégios privados de Tóquio. Suas mensalidades
são caras e suas bolsas são extremamente difíceis de adquirir. Como em qualquer
instituição de ensino médio, ao fim de tarde, seus corredores estão repletos de
alunos em rumo para suas casas.
- Hoshiko-san!
A voz era
abafada pela conversa entre os outros alunos. Quem havia gritado fora Akira
Hikari, uma garota que está no terceiro ano. Há dois anos mudou-se para Tóquio para
completar seu ensino médio. Sua aparência era incomum, se destacava dos demais
alunos, longos cabelos vermelhos e olhos brilhantes.
- Hoshiko-san! – Exclamou novamente.
Estava
tentando chamar a atenção de Orimoto Hoshiko, a garota na qual divide apartamento.
Ela é sempre séria e nunca fala sobre sua vida. É alta, dotada de longos
cabelos castanhos e olhos verdes. Aparentemente não ouviu os chamados de
Hikari, ou apenas os ignorou.
- Novamente... – Suspirou Hikari
decepcionada.
DuSK of the
Gods – Capítulo 01 – Inverno
17 de
Dezembro de 2009, Quinta-Feira, Monte Atos, Grécia.
O cenário é
uma enorme fortaleza rente ao mar. É praticamente toda fechada, com poucas
portas e janelas. Seu interior é semelhante aos melhores centros de
inteligência. Em uma das salas está localizando um homem completamente
uniformizado com uma farda branca. Longos cabelos prateados, não eram
grisalhos, pelo contrário, eram como os de um jovem. Estranhamente, carregava
uma venda consigo que cobria os dois olhos. Na mesma sala estavam soldados
operando computadores.
- Centésimo oitavo sumo
sacerdote, Oberon de Avalon. – Uma voz ecoou pela sala praticamente vazia. –
Eu, Tryphon Aspida, me apresento.
Um jovem,
por volta de seus vinte e cinco anos, se ajoelha em frente ao homem. Tryphon
Aspida era um dos mais renomados Priests daquela organização. Sua pele era
escurecida pelo mediterrâneo, olhos e cabelos castanhos. Estava fardado de
forma semelhante ao senhor.
- Você será redirecionado para
uma nova missão, Aspida. – Respondeu o homem.
Este homem
era Oberon de Avalon, aparenta ser jovem, mas sua idade supera os oitenta anos.
Assumiu a organização há alguns meses após a saída do último sumo sacerdote.
Tryphon
levantou-se.
- Quais são os detalhes? –
Perguntou o jovem.
- Terrorista número 2006-34,
alcunha “Souka”, nacionalidade japonesa. Está ativo há três anos. Neste
intervalo de tempo realizou ataques na Holanda e França, além dos ataques na
própria terra natal. Já foi preso uma vez em julho de 2007, mas conseguiu
escapar. – Explicou Oberon.
O sacerdote
lançava pastas e papéis sobre a mesa, os mesmos eram pegos pelo jovem.
- Dentro destas pastas estão as
vítimas confirmadas e ataques que acreditamos ser do mesmo. Há rumores que ele
está em Tóquio. Seu avião sai em alguns minutos. – Acrescentou.
- Sim senhor. – Apenas bateu
continência e retirou-se da sala.
Oberon
permaneceu estático, apenas ouvindo os passos de seu subordinado retirando-se.
Nos
corredores da enorme fortaleza, um garoto de aproximadamente dezoito anos se
direciona para a mesma sala de onde Tryphon acabara de sair. Longos cabelos e
olhos negros, face jovial, também estava fardado. Os dois se encontram.
- Sir Aspida... – Espantou-se
com a presença dele. Em seguida, bateu continência.
- Isto não é preciso, Songe. –
Respondeu. – Soube que você foi elevado a general durante minha ausência. Agora
somos iguais.
- De forma alguma, Sir Aspida. –
Respondeu o garoto. – Por mais que nossas patentes sejam as mesmas, minha experiência
não é comparável a tua.
O garoto
demonstrava grande respeito por Tryphon. Ambos haviam crescido juntos naquele
lugar.
- Sir Oberon te mandou em uma
missão?
- Sim, estou partindo
imediatamente. – Respondeu Tryphon. – Esta deve ser rápida, irei voltar assim
que terminar.
- Assim espero. – Respondeu o
garoto, adentrando na sala do sumo sacerdote.
Tryphon
olhou para trás onde viu a porta se fechando. Suspirou e continuou andando em
direção ao avião.
19 de
Dezembro de 2009, Sexta-Feira, Tóquio, Japão.
Hikari
acorda as sete da manhã, como todos os dias, se levanta e observa que Hoshiko
já partira.
- Todo dia ela volta para casa
depois de eu dormir e sai antes de eu acordar... – Hikari pensa alto.
Ainda assim,
Hoshiko saia deixando a casa impecável, deixava a louça lavada e o chão limpo.
No início de
2010, completa um ano que as duas moram juntas, mas nenhuma sabe nada da outra.
Nunca conversaram, e Hoshiko sempre tem o hábito de retornar tarde e se retirar
bem cedo. Na escola ainda as duas estudavam em salas diferentes.
Hikari
vestiu seu uniforme escolar e colocou um sobretudo por cima por causa da época
do ano. Saiu de casa.
As ruas
estavam vazias, nelas estavam apenas os que iam para a escola ou para o
trabalho.
19 de Dezembro
de 2009, Sexta-Feira, Aeroporto Internacional de Tóquio, Japão.
Um jato
particular acaba de pousar na pista. Aparentemente em uma zona reservada
daquele aeroporto. Ali desce apenas um homem, Tryphon, trajado com um terno
negro e segurando uma maleta em seu braço direito, contendo as pastas que
Oberon o entregara.
Outro jovem
o esperava do outro lado da pista. Cabelos negros até o ombro e olhos mongólicos,
também usava um terno. Parece ser mais novo que Tryphon. Os dois se
aproximaram.
- Você deve ser Tryphon Aspida,
da sede européia, creio eu. – Supôs.
- Sim, o sumo sacerdote que
informou que eu receberia um guia. – Disse Tryphon. – Poderia saber seu nome?
- Claro senhor Aspida. Eu sou
Akimori Hayate, membro honorário do setor asiático dos Night Knights. –
Apresentou-se com respeito.
- Estou agradecido, Akimori. Sua
ajuda será necessária. – Tryphon agradeceu.
- Agora nós temos que pegar um
carro. Ele nos levará até o local do último incidente com o terrorista 2006-34.
– Respondeu Hayate.
Os dois se
moveram até o interior do aeroporto.
Colégio
Hikoboshi, fim de tarde do mesmo dia.
Hikari desta
vez não tentou gritar o nome de sua colega de quarto, desta vez está a seguindo
com o intuito de descobrir onde a mesma passa a noite.
O céu ainda
está laranja pelo por do Sol. Hoshiko está sentada em um ponto de ônibus,
enquanto Hikari está atrás de uma construção a observando.
- Para onde ela está indo... –
Pensava.
Outras
pessoas que passavam pela mesma rua estranhavam a figura de Hikari espreitando
por Hoshiko.
A garota
entrou em um ônibus. Hikari anotou seu número e esperou que o mesmo saísse do
ponto para sair de seu esconderijo. Tirou seu celular de sua pasta, e com ele
pesquisou o caminho daquele ônibus.
Aquela linha
passava de trinta e trinta minutos, seu destino era sempre o mesmo, uma praça
nos arredores daquele bairro.
- Trinta minutos... – Disse Hikari
ao olhar para a tela de seu celular. – Acho que eu terei que esperar.
A garota
sentou-se no ponto a espera do próximo.
Enquanto
isso, no interior do ônibus, Hoshiko era observado por um homem estranho.
Estava vestido com roupas velhas e rasgadas, como as de um mendigo, um enorme
casaco cobria a maior parte de seu corpo. Calçava tênis velhos e usava um boné
para cobrir o rosto.
Todos o
observavam com olhares tornos, Hoshiko apenas olhava fixamente para a janela,
nem havia notado a presença do mesmo.
Trinta
minutos após, o ônibus finalmente chegou até Hikari.
- Finalmente! – Exclamou a
garota.
Ela
rapidamente entrou no ônibus e se sentou em um dos assentos. Assim como
Hoshiko, sua reação foi ficar a observar as janelas.
Por causa do
inverno, as janelas se embaçavam rápido. O frio fazia com que as pessoas nas
ruas parecerem mais elegantes. Propagandas e luzes natalinas por toda parte.
Promoções em lojas e pinheiros brilhantes estampavam as vitrines das lojas
daquele bairro.
Alguns
flocos de neve começavam a cair, em alguns minutos começaram a enfeitar o
cenário. Hikari tão deslumbrada com a visão que perdeu a noção do tempo. Em tão
poucos minutos, já havia chegado ao parque.
A mesma se
prepara para descer do ônibus.
- Não é perigoso para uma jovem
vir para cá esta hora? – Perguntou o Motorista.
Hikari nem
havia se tocado nas horas, já eram sete horas da noite.
- Não se preocupe com isso. –
Disse com um sorriso na cara, desceu.
O ônibus
arrancou novamente em direção à cidade. Não havia muito barulho naquele bairro,
apenas o som de alguns pássaros. Hikari o adentrou em busca de sua companheira,
até que a encontrou.
Hoshiko
estava em uma espécie mirante, acima de algumas escadarias, apoiada sobre
defensas metálicas mirando através de um telescópio as estrelas.
- Hoshiko-san! – Gritou Hikari.
Naquele
silêncio finalmente conseguia chamar a atenção de sua “amiga”. Hikari estava ofegante
por ter subido tantas escadas rápido. Hoshiko se assustou com sua presença lá.
- ... Hikari? O que faz aqui? –
Perguntou.
Aquele era
um dos poucos momentos que Hikari ouviu a voz de Hoshiko, mesmo as duas morando
juntas.
- Então é isso que você faz toda
noite? – Perguntou Hikari. – Parece interessante...
- Bem... É... Eu venho aqui toda
noite observar as estrelas. – Respondeu Hoshiko, um pouco tímida ainda.
Hikari se
aproximava do telescópio, começou a olhar por ele, mudou algumas configurações
na lente.
- Nã... – Hoshiko obviamente
queria que a mesma parasse, mas não conseguia.
- Que legal... – Disse Hikari. –
Por que você nunca me chamou para vir aqui?
Hoshiko era
tímida demais para responder coisas deste tipo.
Passos eram
ouvidos naquele lugar. Era algo raro, uma vez que apenas Hoshiko passava a
noite naquela parte do parque.
O homem que
observava Hoshiko no ônibus se aproximava das duas garotas. Hikari não
percebia, ainda estava olhando o céu pelo telescópio.
- Lampades... – sussurrou o
homem. Chamas negras apareciam em sua mão direita, no final ele estava
segurando uma enorme espada de dois gumes, aproximadamente de um metro e vinte centímetros
de comprimento.
- Um... Priest? – Perguntou mentalmente
Hoshiko.
Com um
movimento de sua espada, o homem lançou chamas negras na direção das duas
estudantes. Hoshiko em um movimento rápido agarra Hikari pelo braço e junto da
mesma se arremessam pela lateral.
- Argh... Porque você fez isso? –
Perguntou.
Novamente
chamas negras foram lançadas, com outro movimento rápido Hoshiko desviou,
levando consigo Hikari.
- O que foi isso?! – A outra
assustou com a chama que acabou de ser lançado contra ela.
O Homem
desceu pelo mesmo gramado que as duas, até chegar no mesmo local.
- Herr Josephine estava certa,
se eu seguisse uma, as duas estariam juntas. – O mesmo retirou seu boné,
revelando um cabelo bastante desarrumado, além de uma barba mal feita. Ele
aponta sua espada para Hoshiko. – Eu sei que você é uma Priest, não adianta
esconder.
Ela levantou-se
e mostrava uma expressão de raiva em seu rosto.
- Hoshiko-san... – Hikari estranhava
aquilo, principalmente pelo fato de nunca ter visto a colega demonstrando
emoções tão fortemente.
- Eu realmente não queria perder
tudo o que conquistei aqui desta forma... – Pensou Hoshiko.
- Ande logo porque se não terei
que matar a sua amiga aí... – O homem apontou sua espada para Hikari.
- Altair! – Hoshiko gritou. Sua
mão direita brilhava intensamente com uma luz esmeralda.
Hikari se
espantou com o que viu. A partir daquela luz Hoshiko criara um Katana e
velozmente deferiu um ataque físico contra o homem, que defendia com sua
própria espada.
- Finalmente se mostrou Priest. –
Disse o homem. – Mas isso não é o suficiente!
Com um
movimento de sua espada ele arremessou Hoshiko contra o chão.
- Hoshiko! – Gritou preocupada.
- Se não se levantar em cinco
segundos, eu matarei ela. – O homem novamente alvejava Hikari.
Hoshiko
mostrou mais raiva do que antes, levantou e tentou novamente um golpe. Mas
novamente foi derrubada.
- Cinco... Quatro... Três... – O
homem começava a contar.
Hoshiko
novamente tentava repetir o ataque, mas sempre era derrubada pelo homem.
- Desta forma você não pode
salvar sua amiga... – Disse o homem, se agachando perto de Hoshiko e a
levantando pelos cabelos.
- Seu... – A voz já estava fraca
por causa da dor.
O homem a
arremessou novamente.
- Meu trabalho na verdade é cuidar
de você. – Disse o homem ao se levantar, começou a andar na direção de Hikari.
A garota
tenta correr para trás, mas não consegue desviar o olhar por causa do medo.
- Lampades. – O homem brande sua
enorme espada gerando uma coluna de chamas contra Hikari.
*o*
ResponderExcluirGostei ^^
ResponderExcluirFicou bem detalhada mesmo! Gosto de historias assim!